TECENDO A MANHÃ
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele
precisará sempre de outros galos.
De
um que apanhe esse grito que ele;
e o
lance a outro; de um outro galo o grito que
que
apanhe o grito de um galo antes
e o
lance a outro; e de outros galos
que
com muitos outros galos se cruzem
os
fios de sol de seus gritos de galo,
para
que a manhã, desde uma teia tênue
se
vá tecendo, entre todos os galos.
E se
encorpando em tela, entre todos,
se
erguendo tenda, onde entrem todos,
se
entretendo para todos, no toldo
(a
manhã) que plana livre de armação.
A
manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que,
tecido, se eleva por si: luz balão
MELO NETO, J.C. Tecendo a
manhã. In: Cabral – antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p.
17.)
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